A indicação do Partido Social Cristão (PSC) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados poderá ser rediscutida, devido à enorme pressão de setores da sociedade, insatisfeitos com o nome de Marco Feliciano.
Hoje, às 14h00, uma reunião entre os líderes do partido, encabeçada pelo deputado federal André Moura (SE), irá avaliar o impacto das manifestações contra o nome do pastor: “Existem repercussões em todo o país que não devem ser desconsideradas pelo partido”, disse Moura através de nota, segundo informações da Folha de S. Paulo.
O deputado lamentou que as reações tenham sido extremadas: “Sinto que é preciso dialogar. Temos plena confiança que o deputado Feliciano desempenhará o cargo com eficiência e respeito a todas as correntes de opinião. Contudo, a Câmara dos Deputados e o PSC precisam estar em sintonia com o sentimento da sociedade brasileira”, ponderou.
A pressão política é outro fator que tem pesado para que a liderança do PSC discuta a situação. O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) criticou a indicação de Feliciano, e pediu a saída do pastor do cargo: “Foi uma péssima indicação, não esperávamos que o PSC fosse indicar um fundamentalista”, disse Falcão.
Rui Falcão complementou ainda dizendo que acredita que o Congresso poderá “reconsiderar” a decisão tomada de eleger Feliciano, e “convencer o PSC a fazer outra escolha”.
Já o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que a reavaliação deve ser feita pensando na imagem da Câmara dos Deputados: “Diante de uma reação como esta, existe espaço para rever a indicação. Mas a decisão é do partido. O presidente da Câmara pode chamar o PSC, os partidos, nos consultar, analisando se atinge a imagem da Câmara. Quando as coisas ultrapassam o limite partidário, arranham a imagem da Casa, todos temos que zelar”, afirmou, de acordo com o jornal O Globo.
A mesma postura foi adotada pelo líder do PSB, Beto Albuquerque (RS): “Quando você tem um parlamentar com problemas no comando de uma comissão, não só o partido dele passa a ser questionado, mas o conjunto da Câmara passa por constrangimentos. O presidente eleito (Feliciano) está exposto a muitos questionamentos. O assunto deve ser examinado pelo presidente da Câmara”, declarou, antes de criticar o fato de o PSC ter conquistado a maioria das vagas da CDHM: “Oito deputados de um mesmo partido na Comissão não é fruto do acaso. Violenta a proporcionalidade, está errado. Também é estranho a maioria dos integrantes ser de deputados ligados à Igreja Evangélica. A comissão deve ser plural”.
Um grupo de parlamentares ligados a questões dos direitos humanos, formado em sua maioria por membros do PT, PCdoB e PSB, tenta anular a eleição de Marco Feliciano contestando questões técnicas das sessões que resultaram na eleição do pastor para comandar a CDHM.
São dois os motivos que o grupo pretende usar como argumento para pedir ao presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a anulação da escolha de Feliciano: quebra de proporcionalidade, devido à maioria de parlamentares do PSC, e quebra de regimento interno da Câmara, pois na quarta-feira, 06/03, o então presidente da CDHM, Domingos Dutra (PT-MA), suspendeu a sessão por falta de acordo, e o próprio Alves convocou reunião para o dia seguinte, às 9h00, mas fez isso da tribuna, sem um ato formal da Presidência, segundo informações do Congresso em Foco.
O colunista do Gospel+, Paulo Teixeira, publicou um artigo em que revela uma manifestação do ex-ministro José Dirceu, que pretende aumentar a pressão para que Marco Feliciano renuncie ao cargo.
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