Brasil leva Carrefour de volta ao azul

O grupo supermercadista francês Carrefour voltou a registrar balanço positivo no primeiro trimestre de 2012, com alta de 1,5% das vendas e receita de € 22,49 bilhões. Mas esses números positivos só foram possíveis graças às operações da empresa no Brasil. As vendas do conglomerado na América Latina cresceram 8,1% nos primeiros três meses do ano, para € 4,42 bilhões. Segundo Lars Olofsson, diretor-presidente demissionário da companhia, é nos países emergentes que o grupo registra melhor desempenho.

O volume mundial de vendas do Carrefour ficou dentro do esperado, de acordo com analistas consultados pela Reuters. Mas os resultados do número 2 mundial em varejo de alimentos, atrás do americano Walmart, foram decepcionantes tanto na França quanto na Europa.

Em seu mercado doméstico, o Carrefour voltou a demonstrar dificuldades, com vendas em baixa de 0,5%, mesmo depois de ter reduzido o preço de 500 produtos em 2011. O porcentual foi puxado para baixo pelos hipermercados do grupo, que continuam a dar prejuízo. Na Europa, as vendas caíram 2,7%, muito em função da deterioração do mercado na Grécia.

Apesar dos números ruins, o diretor financeiro do grupo, Pierre-Jean Sivignon, viu motivos para otimismo quanto às operações na Europa. "As vendas na França parecem estar se recuperando, depois de queda de 2,8% no quarto trimestre de 2011", argumentou.

Em meio à crise na Europa, fatores que também afetam as vendas, a válvula de escape do Carrefour foi o mundo emergente. Na China, o volume movimentado cresceu 7% nos três primeiros meses do ano, atingindo € 1,66 bilhão.

Atacadão. No entanto, o desempenho mundial do grupo foi salvo mesmo pelas filiais latino-americanas. Puxado pelas vendas no Brasil, o Carrefour registrou na região seu maior crescimento em volume de negócios. As vendas subiram 10% no trimestre graças "à melhora contínua dos hipermercados e da ótima performance da rede Atacadão", afirmou a empresa em nota oficial.

"As performances na Europa do Sul continuam a ser afetadas pela baixa nas despesas não alimentares, compensadas em parte por uma performance muito satisfatória na América Latina, em especial do Brasil", afirmou Olofsson. O grupo não vê a reversão deste quadro: a tendência é a continuidade das dificuldades na Europa e da expansão nos países emergentes.

Os números também servem como um recado aos acionistas que pressionavam Olofsson pela venda dos ativos no Brasil. Desde que viram o valor das ações do grupo mergulharem nos mercados financeiros, os fundos de Colony Capital e Blue Capital, acionistas do Carrefour, passaram a pressionar pela cessão das operações na Ásia e na América Latina - uma forma de recuperar parte do valor investido no grupo.

Em meio às pressões, a filial do Carrefour no Brasil foi o centro de uma disputa entre os grupos Pão de Açúcar, do empresário brasileiro Abílio Diniz, e Casino, principal concorrente do conglomerado na França. Insatisfeitos com a gestão de Olofsson na condução desses negócios, Colony e Blue Capital pressionaram por sua demissão, anunciada em janeiro. Georges Plassat deve assumir seu lugar em 30 de agosto.

O Estado de S.Paulo
Por ANDREI NETTO, Paris

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